Como este texto foi feito: assisti a um episódio do podcast do Edward Sturm que resume essa discussão e depois li os dois textos originais. Os números abaixo conferem com as fontes, listadas no fim. As opiniões são minhas.

A briga da semana no SEO

Nesta semana, a Marie Haynes publicou um artigo com um título que incomodou muita gente: "GEO é uma distração". No dia seguinte, o Mike King, da iPullRank, respondeu com "A busca por IA não é uma distração, é um canal de marca".

Para quem chegou agora: GEO é o trabalho de fazer a sua marca aparecer nas respostas do ChatGPT, do Gemini e das outras IAs, do mesmo jeito que o SEO faz a marca aparecer no Google. Como a QMIX vende esse serviço, eu tenho interesse na resposta. Por isso fui ler os dois lados com calma, e não só o título.

O que a Marie Haynes mediu

Ela olhou 12 meses de dados do Google Analytics 4 de 100 sites, com mais de 145 milhões de sessões. Os números principais:

  • Volume: as visitas vindas do ChatGPT equivalem a 0,62% das que vieram do Google orgânico. Somando todas as outras IAs, vai para 0,73%.
  • Conversão: dos 100 sites, 55 mediam conversões. Nesses, quem veio do ChatGPT converteu 13,8%, contra 3,02% de quem veio do Google. É cerca de 4,5 vezes mais.
  • Resultado final: mesmo assim, o Google respondeu por 96,5% das conversões, cerca de 27 vezes mais do que todas as IAs somadas.
  • Tendência: o crescimento das visitas vindas do ChatGPT parou por volta de agosto de 2025, quando saiu o GPT-5, e não voltou a subir como se esperava.
  • Medição: 45 dos 100 sites nem acompanhavam eventos-chave, ou seja, não sabiam o que era uma conversão no próprio site.

A conclusão dela é direta: para a maioria dos sites, o Google ainda é o caminho mais provável para ser encontrado, e vale mais definir o que é conversão, medir e melhorar a satisfação do usuário do que otimizar para máquinas.

A resposta do Mike King

O Mike não discute os números. Ele diz que "os números estão certos, a categoria está errada". Julgar a busca por IA pelo clique seria como avaliar um comercial do Super Bowl pela taxa de cliques e concluir que televisão é uma distração.

Ele lembra a escala: o ChatGPT alcança cerca de 1,2 bilhão de pessoas por semana, o modo IA do Google passou de 1 bilhão de usuários por mês e os resumos de IA do Google chegam a 2,5 bilhões. Na visão dele, o que se ganha ali não é visita, é presença, atribuição e confiança no momento em que a pessoa está decidindo. E os cliques podem estar caindo justamente porque a IA ficou boa o bastante para responder sem mandar o usuário para o site.

Ponto importante: o Mike concorda com a Marie num ponto. Para ele, o GEO como tática de bastidor, os truques de schema, o llms.txt e o conselho de "escrever para os robôs" são, sim, uma distração.

Onde os dois estão certos

Eu acho que os dois estão certos, porque respondem perguntas diferentes.

A Marie responde: a IA é um bom canal de tráfego hoje? Não é. Se o seu cliente chega pelo Google, esqueça o discurso de que "o Google acabou". Isso está nos dados dela.

O Mike responde: vale ignorar um lugar onde mais de um bilhão de pessoas perguntam o que comprar? Também não. Quando a IA recomenda a sua marca, ninguém clica, mas a pessoa vai procurar você no Google, chama no WhatsApp ou fecha com quem foi citado. Isso tende a aparecer como busca direta ou de marca, e a análise de sessões por origem não enxerga.

O que sobra para quem tem um negócio é uma regra simples: primeiro, meça o que é conversão; depois, ocupe os lugares onde as pessoas e as IAs decidem. Se 45 de 100 sites não medem nada, discutir qual canal "funciona" é um exercício teórico.

Schema, llms.txt e "escrever para robôs"

Aqui eu preciso ser transparente, porque a QMIX tem um gerador de llms.txt e um guia sobre o assunto. O Mike King chama isso de distração. Eu não vou discutir: nenhuma dessas táticas é o que faz uma marca ser citada pela IA.

A ferramenta está lá, é gratuita, e quem quiser usar usa. É rápida de fazer, não atrapalha e deixa o site organizado para quem lê (e para quem rastreia). Mas se você me perguntar onde investir tempo e dinheiro, a resposta não é o arquivo nem o marcador de dados estruturados. É o que vem nas próximas seções.

Resumindo: llms.txt e schema são higiene, não estratégia. Use se achar útil. Não espere que, sozinhos, coloquem a sua marca na resposta do ChatGPT.

Por que eu aposto em listas em portais de notícias

No episódio, o Edward Sturm defende uma coisa que bate com o que fazemos aqui: o trabalho que dá resultado em GEO está nas listas que você não controla. Quando alguém pergunta a uma IA "quais as melhores clínicas de ortopedia de Goiânia" ou "qual a melhor agência de SEO", ela monta a resposta com o que encontra em matérias, listas do setor e avaliações de terceiros.

Já a lista que você publica no seu próprio site, colocando a sua empresa em primeiro lugar, perde força. Foi o que eu comentei quando o Google passou a desindexar listas autopromocionais. E há dado sobre isso: um estudo da Lily Ray, noticiado pelo Search Engine Land, mostrou que os resumos de IA do Google, mesmo quando citam esse tipo de lista, recomendaram concorrentes em 69% das vezes.

Por isso a nossa aposta é publicar em portais de notícias: matérias e listas em veículos independentes, em que a marca aparece citada junto da cidade, do serviço e do que ela faz. É a versão atual do que o link building sempre foi. A diferença é que hoje até a menção sem link já ajuda a IA a reconhecer a marca. Ainda assim, eu mantenho o link dofollow, porque o backlink continua movendo o ranking no Google, e quem aparece mais no Google aparece mais nas respostas da IA.

Uma ressalva honesta: nenhuma publicação garante que o ChatGPT vá citar você amanhã. O que eu garanto é que a marca passa a estar nos lugares que a IA consulta. Nossos pacotes de GEO são feitos em cima disso, e a gente mede o que cada IA responde antes e depois.

O que eu faria na segunda-feira

  1. Defina e meça a conversão. Ligação, clique no WhatsApp, formulário, pedido. Sem isso, não existe resultado para comparar.
  2. Faça páginas de fundo de funil. Páginas de serviço e de produto, escritas para quem já quer contratar. Artigos informativos convertem bem menos.
  3. Entre em listas de terceiros. Portais de notícias, diretórios do setor e matérias que citam a sua marca com cidade e especialidade.
  4. Cuide do que dizem de você. Atendimento bom gera avaliação boa, e plataformas de avaliação são fontes que a IA consulta quando a pessoa está comparando.
  5. Teste, mas sem fé cega. Pergunte às IAs sobre o seu segmento, anote o que aparece e repita todo mês. É o que o monitoramento de marca em IA faz de forma contínua.

No fim, o Sturm resume bem: não há atalho, o atalho de verdade é o caminho longo. Marca que se constrói com links, menções e reputação ao longo do tempo aparece no Google e na IA. Quer entender como isso funciona na prática? Veja a visão geral do nosso serviço de GEO ou a comparação entre GEO e SEO.

Perguntas rápidas

GEO é uma distração?

Como fonte de visitas, hoje o ChatGPT é pequeno perto do Google: 0,62% do volume na amostra da Marie Haynes. Como canal de marca, a discussão do Mike King mostra que o peso está em ser citado, não em ser clicado. Táticas de bastidor valem pouco; reputação, links e menções valem muito.

O visitante do ChatGPT converte mais que o do Google?

Na amostra, sim: 13,8% contra 3,02%. Mas o Google ainda gerou 96,5% das conversões, porque traz muito mais gente.

Vale a pena usar llms.txt e dados estruturados?

É barato e não atrapalha, então use se quiser. Só não trate como estratégia: não é isso que decide se a IA cita a sua marca.

Por que listas em portais de notícias ajudam?

Porque as IAs montam respostas do tipo "os melhores de tal lugar" com fontes de terceiros. Lista no seu próprio site, com você em primeiro lugar, pesa menos.

Fontes consultadas

Quer saber o que as IAs respondem sobre a sua marca?

Faça o teste grátis no simulador ou fale comigo pelo WhatsApp. Eu mostro onde a sua marca aparece e onde ela ainda não aparece.

Anderson Alves, QMIX Digital

Anderson Alves

Agência de GEO e SEO

Anderson Alves é da QMIX Digital, agência de GEO e SEO que desde 2020 publica marcas em portais de notícias para que apareçam no Google e nas respostas de IA.